Os habitantes de Second Life vão poder sentir o vento fresco da manhã, ou o estremecimento provocado pela passagem de um comboio. Até talvez cheirar um bom café. A Philips está no terreno.
Depois de ter apresentado o sistema para jogos de consoles e PCs, e sugerir a sua aplicação em outras áreas, a Philips transfere agora o sistema amBX (foto) para Second Life. Robin Harper, da Linden Lab, empresa criadora do universo virtual, confirmou em recente visita a Portugal, para a abertura do “campus” virtual da Universidade de Aveiro, que as negociações estavam finalizadas e que em breve a experiência de SL vai ser mais rica.

Sentir a vibração de um comboio... virtual
Um dos primeiros jogos a oferecer esses sinais é Rail Simulator, um simulador de trens da Electronic Arts, para PC, em que o jogador vai poder sentir a vibração do movimento e até a brisa soprando-lhe nos cabelos. A Philips sonha mesmo com a criação de sistemas capazes de oferecer odores, algo que, se concretizado, corresponderia a um sonho antigo da indústria de games.
“Com o sistema amBX os jogos, mas também outras formas de entretenimento, libertam-se das amarras de uma tela de computador, ou televisor, e enchem toda uma sala com um realismo multi-sensorial” diz Joost Horsten, responsável pelo projeto, acrescentando que “pretendemos criar novos mundos nas casas das pessoas e que elas possam não só ver e escutar, mas também sentir, para que a experiência seja quase real.”
Para alcançar este objetivo, a Philips criou uma gama de acessórios que serão lançados na Europa em Junho, confirmou uma fonte da empresa. São conjuntos luminosos especiais, colunas de som com iluminação incorporada, ventoinhas, sistemas de vibração para aplicar no mobiliário, tudo para imergir o jogador numa experiência sensorial ímpar. Para Jo Cooke, responsável de marketing da Philips, “os jogadores vão ter, num futuro próximo, de esforçar-se muito para acreditar que mesmo se a adrenalina que sentem fluir ante a aproximação de uma nave inimiga é real... o jogo não é!” O recente simulador de condução Colin McRae DIRT, por exemplo, é compatível com o sistema amBX.
Cheirar um café... virtual
Mas a Philips não para aí. Apesar do sistema ter sido concebido para jogos criados com o código amBX, a empresa já verificou uma forma de aplicar o recurso em outros jogos, quaisquer que sejam, de modo a capitalizar no interesse que, espera-se, o sistema vai despertar. E promete estender o amBX também à navegação na Internet, para uma experiência nova à quem pensa que já viu tudo da Net. Pense em entrar num café virtual e sentir o cheiro de um expresso recém preparado.
Antes disso, porém, é Second Life o novo laboratório de experiências da Philips, que até já abriu escritórios virtuais da Philips Design e desafia os habitantes a participarem na concepção de novos produtos, através de grupos de discussão e encontros – virtuais, claro – com os criadores ao serviço da empresa holandesa.

Para Jo Cooke, “o Second Life oferece ao amBX uma oportunidade única de chegar a milhões de pessoas interessadas em tecnologia e abertas a novas experiências online. Vamos poder oferecer-lhes todo um leque de experiência sensoriais, mas também acesso em primeira-mão a novos efeitos amBX, que já estão em desenvolvimento, assim como periféricos ainda em protótipo, dando a alguns a possibilidade de testarem amostras antes do lançamento comercial. O Second Life oferece todo um novo mercado, para o uso do amBX, e achamos que isto é o começo de uma excelente relação”.
Ciente de que o universo SL foi construído pelos seus residentes, a Philips pretende que seu sistema seja introduzido no mundo virtual com a mesma filosofia, no qual criará soluções “open source”, com utilitários que permitirão aos second lifers conceberem os seus próprios efeitos sensoriais reais... no mundo virtual. A simplicidade da linguagem amBX, que se aproxima do HTML, permite que mesmo não programadores criem ambientes que podem, por exemplo, enviar a amigos. O sistema aceita instruções do tipo “uma explosão de meio segundo” para criar uma vibração num sistema acoplado a uma cadeira e uma variação na luz e cor. Joost Horsten diz que é tão fácil como fazer uma página Web.
A modularidade do sistema garante, em termos do usuário final, a melhor experiência em função do equipamento de que dispõe. Isso permite começar a montar uma 'sala de experiência' com, por exemplo, somente o sistema luminoso, e depois acrescentar ventoinhas, conjuntos sonoros e de vibração. O software detecta o que existe no local e o incorpora. Isso significa que um mesmo jogo ou filme pode oferecer diferentes graus de experiência aos espectadores. Em termos de Second Life, isso significa que será cada vez mais real viver do outro lado da tela.
Assista uma demonstração do AmBX interagindo com o Second Life:
Por José Antunes
Fonte: Expresso Clix.
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