Desde o final do ano passado, os arquitetos Fernando Vásquez e Luiz Junqueira, além de sua equipe, fazem projetos mirabolantes para o Second Life.

A explicação de tamanha transformação é simples: os avatares podem fazer coisas impensáveis para reles mortais, como voar e atravessar paredes. Dessa forma, não há a necessidade de construções semelhantes às do mundo real. A liberdade, nesse sentido, é muito maior. “O Second Life possibilita a implementação das utopias dos anos 60”, diz Vásquez referindo-se às idéias de Verner Panton, designer que, naquela época, desenhou alguns móveis e objetos tão diferentes que eram impensáveis para a anatomia humana, mas não para a anatomia “avatariana”.

E esse campo extremamente aberto e rico em possibilidades, que tanto fascínio causa nos habitantes do SL, é justamente o maior desafio que os arquitetos encontram para trabalhar no mundo virtual. “Você tem de saber controlar, para não ir da criação para o devaneio. A criação é produtiva, o devaneio é alienante”, afirma Vásquez. Só que essa liberdade esbarra nos limites técnicos do game. Segundo os sócios, a ferramenta de construção do Second Life, o builder, é bastante limitada. “O programa é muito primitivo. E você é compelido a usá-lo, o que provoca uma redução enorme”, reclama Vásquez. Ele conta que o builder possui apenas formas volumétricas básicas, como cubos, prismas e cones. “É uma espécie de Lego”, afirma.

É isso que Junqueira e Vásquez estão tentando fazer. Eles montaram uma equipe com mais 11 pessoas de diferentes áreas para trabalhar nos projetos. E não é que parece estar dando certo? Em apenas três meses, a cara dos projetos que eles fazem mudou bastante. “O segredo está nessa equipe de pesquisa”, diz Vásquez. O time é composto de especialistas em games e design gráfico, programadores, webdesigners e claro, arquitetos. “Muito mais a gente aprende a lidar com a ferramenta do que ela melhora efetivamente”, diz Mariana Távora, arquiteta integrante da equipe do SL.
Eles também começaram a utilizar os programas comuns de modelagem 3D para “fabricar” o mundo virtual. Que programa? Ah, isso eles não dizem. “Não podemos entregar o ouro para o bandido, né?”, brinca o arquiteto Marcos Figueiredo.

Por Cinthia Toledo
Fonte: Estadao.com.br
Um comentário:
"Que programa?"
Blender
Pronto, entreguei o ouro.
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