Brasileiro compra apartamento real de R$ 310 mil pelo site da Tecnisa, no Second Life.
Empresário do setor de tecnologia, o mineiro Christian Pinheiro, 30 anos, há tempos buscava um novo apartamento em São Paulo . Após alguns meses de busca, encontrou o local perfeito e fechou o negócio. Localizado no bairro paulistano da Vila Madalena, seu novo lar de 75 m2 possui dois quartos, sala dois ambientes, cozinha americana, banheiro, lavanderia e uma invejável área de lazer com quadras, piscinas e academia. O valor pago pelo imóvel foi R$ 310 mil. A aquisição de Christian não seria nada fora do comum, não fosse o meio pouco convencional que o levou à compra: o Second Life.

Enquanto seu avatar chamado CP Auer passeava pelo universo virtual, deparou- se com o estande da construtora Tecnisa, onde iniciou o processo de compra. "O próprio avatar me deu uma pré-consultoria", conta Pinheiro. "Depois, efetuei a aquisição de um imóvel similar." Não está nos planos da Tecnisa, porém, construir imóveis virtuais e vendê-los para os habitantes desse novo mundo. "Temos que vender apartamentos físicos. Se faturamos R$ 600 milhões por ano, não vamos consumir energia investindo em imóveis virtuais para faturar R$ 300 mil", admite Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa uma vitrine para exposição de suas marcas. Logo, porém, perceberam que o mundo virtual guardava oportunidades que iam além da publicidade e se tornaria um cenário para negócios bem reais.

"Parte do nosso plano de marketing real está acontecendo dentro de um universo virtual e queremos estar com o Prestobarba onde o jovem está presente", explica André Quadra, gerente de relações externas da Procter. A facilidade em atingir um público com perfil bem definido - jovem, aberto a inovações e interessado em tecnologia - estimulou a Sundown Motos, terceira maior fabricante nacional de motocicletas, a utilizar o Second Life como mercado de teste de produto. Em sua concessionária virtual, desde o início deste mês, os visitantes podem testar e avaliar um inédito modelo de moto com ar-condicionado. Em apenas 10 dias, 941 usuários já efetuaram os testes. O investimento inicial da Sundown no projeto foi de R$ 100 mil. "Se os resultados obtidos forem positivos, a nova moto será lançada no mundo real", afirma Antônio Carlos Romanoski, presidente da empresa.
Embora a presença no Second Life seja um importante instrumento de marketing, especialistas recomendam cautela em sua utilização. Para o consultor Jaime Troiano, diretor da Troiano Consultoria de Marca, muitas vezes as empresas querem ser pioneiras em tudo relacionado à tecnologia, mas perdem o foco do que realmente querem comunicar ao seu público. "As empresas, de forma ingênua, têm compulsão em usar aquilo que é novo, de vanguarda, sem medir bem quanto isso será relevante para a marca", diz Troiano. Esse, no entanto, não é o único risco. "É igualmente arriscado usar de maneira indevida o nome de um executivo importante como porta-voz da empresa, quando a comunicação com o mercado não funciona corretamente."
Fonte: IstoÉ Dinheiro.
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